Executivo em ônibus interagindo com interface de IA em holograma

IA no transporte: por que tratar algoritmos como parceiros corporativos

Quando penso em inteligência artificial dentro das empresas, percebo que avançamos muito além da fase de deslumbramento com ferramentas que automatizam tarefas. Hoje, como profissional do setor de tecnologia, defendo que algoritmos não são apenas utilitários, mas sim novas entidades vivas no ecossistema corporativo. Essa ideia ficou ainda mais clara para mim após acompanhar o Bus Summit 2025 em São Paulo, evento voltado ao setor de transporte rodoviário, onde ouvi a palestra impactante do futurista Neil Redding.

Neil Redding e o novo relacionamento com a IA

Neil Redding surpreendeu a plateia do Bus Summit ao propor um olhar totalmente diferente para a inteligência artificial. Ele defendeu que, na próxima década, “dominar o prompt” será habilidade-chave, assim como aprender a usar planilhas foi há algumas décadas. Essa competência, segundo ele, será tão relevante quanto saber negociar ou liderar equipes.

Redding partilha daquilo que já observo no meu cotidiano: não é mais suficiente saber que IA existe, é preciso interagir ativamente com ela. Ele abandonou assistentes pessoais e passou a usar, de forma combinada, seis plataformas de IA para organizar toda sua rotina profissional. Perguntei a alguns colegas do setor se fariam o mesmo, a resposta foi um misto de “será?” e “ainda não estou pronto”. Mas será que realmente podemos adiar esse passo?

Superando o encantamento inicial

A era do fascínio deu lugar à participação.

Segundo Redding, passamos da fase do “uau tecnológico” para a vivência prática com algoritmos. “A qualidade das respostas depende do contexto que oferecemos”, afirmou. Ou seja, o resultado agora depende da qualidade da informação, da personalização e do diálogo constante.

Não basta esperar resultados milagrosos. Ao invés disso, precisamos manter essas “novas espécies” de IA alimentadas com os dados e perguntas certas. Tenho visto esse movimento também no trabalho da Fabrica de Agentes, que entende que integrar IA à realidade do cliente é muito mais do que plugar um sistema pronto: é conversar, adaptar, ensinar e ajustar.

Medos recorrentes: os riscos da IA e a analogia da paternidade

Em um ponto que me chamou bastante atenção, Neil Redding citou um temor comum entre líderes empresariais: o receio de que IAs se tornem incontroláveis ou gerem riscos imprevisíveis. Senti que muitos no auditório compartilhavam dessa preocupação.

Para ilustrar o perigo de isolar a IA dos problemas reais da empresa, Redding usou uma analogia com a paternidade:

Quando você se distancia, perde a referência e pode ter surpresas indesejadas.

Ou seja, se tratarmos a IA como algo à parte, sem conexão com nossos desafios concretos, é provável que ela gere respostas fora do contexto, pouco úteis ou até prejudiciais para a companhia. Percebi, então, que o segredo está justamente no acompanhamento diário, no diálogo e no alinhamento constante.

Como criar essa proximidade?

No cenário prático, manter esse elo vai muito além de treinar usuários. Exige alimentar o algoritmo com dados proprietários, particularidades do negócio e informações atualizadas.

  • Descrever fluxos operacionais com detalhes, em vez de simplificações.
  • Atualizar as bases de conhecimento com informações internas, e não só externas.
  • Fazer perguntas personalizadas e feedback constante sobre as respostas.
  • Integrar dados de diferentes setores, quando útil para tomada de decisão.

Já testemunhei na Fabrica de Agentes que esse tipo de aproximação faz toda a diferença. Ali, cada agente inteligente é modelado conforme a realidade da empresa, incluindo dados, regras e objetivos que só fazem sentido para aquele cliente.

O transporte rodoviário e o salto para interfaces conversacionais

Foi nesse clima de expansão do diálogo com algoritmos que uma notícia mexeu com o ambiente do evento. A ClickBus anunciou um investimento acima dos R$ 15 milhões, em 2025, para criar uma arquitetura de IA própria, alimentada por uma base de 85 milhões de passagens. O objetivo? Adaptar grandes modelos de linguagem, hoje tendência mundial, à realidade específica do transporte rodoviário brasileiro.

Ônibus rodoviário inteligente com interface de IA projetada ao fundo, passageiro interagindo

O plano traz uma quebra de paradigma importante: enquanto no varejo digital estamos acostumados a buscar produtos clicando em filtros e listas, a ClickBus aposta no modelo de “camada de IA”. Com ele, o usuário deve ser capaz de tirar dúvidas complexas, como regras para transporte de crianças ou animais, usando linguagem natural e recebendo respostas em tempo real, sem a necessidade de navegar por dezenas de telas.

Quando conversar substitui clicar

Já imaginei várias situações em que uma pergunta simples, como “posso embarcar com meu cachorro?” gera minutos de busca infrutífera em sites convencionais. Associando o conceito exposto por Redding, faz muito sentido centrar o futuro das interfaces em diálogos diretos, contextualizados e imediatos.

A iniciativa da ClickBus mostra como a adoção da IA não é só uma questão técnica, mas de experiência e cultura digital. O movimento, para eles, é sair do modelo tradicional de marketplace e criar um ambiente onde perguntas são respondidas por agentes, não por listas ou menus.

Passageiro usando interface conversacional para comprar passagem rodoviária pelo celular

O papel das empresas e a participação ativa dos algoritmos

O ponto de vista trazido pelo especialista e essas iniciativas do mercado validam algo em que acredito profundamente: o segredo é tratar a IA como um parceiro de verdade, presente nos processos vitais da empresa, e não como uma caixa-preta autônoma. O diálogo, a adaptação ao contexto, como defende a equipe da Fabrica de Agentes, e a integração com as rotinas é o que diferencia o uso estratégico daquele que só faz “mais do mesmo”.

Se você procura entender mais como essa participação pode acontecer, vale visitar referências e estudos como as 9 verdades sobre o uso de agentes de IA em empresas ou aprender como viabilizar projetos sob medida em como criar agentes de IA com integração real entre sistemas. Além disso, o debate sobre IA no suporte ao franqueado é uma amostra de que diferentes setores estão abraçando a participação ativa.

Quem quiser acompanhar as principais tendências e exemplos inspiradores do mundo de IA, pode ainda conferir a seção de inteligência artificial no nosso blog e grandes inovações internacionais. Ali vou compartilhando, com frequência, práticas e aprendizados de várias áreas.

Conclusão: não basta usar, é preciso dialogar (e participar)

Minha convicção é que empresas que desejam protagonismo não vão adotar a IA só como apoio. Elas vão tratá-la como parte da equipe, conectando dados reais, desafios diários e objetivos claros. Como mostrou Neil Redding e como aplicamos na Fabrica de Agentes, a participação ativa com agentes inteligentes cria resultados que transcendem o simples automatizar.

Se você está preparado para pensar em IA como uma extensão estratégica do seu negócio, o convite é conhecer melhor o trabalho da Fabrica de Agentes. Venha descobrir como podemos criar, juntos, agentes inteligentes que pensam do seu jeito, participam dos seus desafios e transformam realidades.

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Sergio Camillo

Sobre o Autor

Sergio Camillo

Sergio Camillo é um especialista apaixonado por inteligência artificial e automação, dedicado a impulsionar empresas brasileiras por meio de soluções inovadoras baseadas em IA. Com foco em criar agentes inteligentes personalizados, Sergio valoriza o uso estratégico da tecnologia para aumentar a eficiência e produtividade nos negócios. Ele acredita que soluções sob medida, simples e aplicáveis, permitem às empresas conquistar vantagem competitiva concreta sem perder tempo com experimentação excessiva.

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