Fisioterapeuta avaliando equilíbrio de paciente com suporte tecnológico ao fundo

Em minha experiência na área da saúde, vejo com frequência a busca por respostas objetivas quando se trata da reabilitação de pessoas com doenças neurodegenerativas. Uma expressão comum que escuto de profissionais e familiares é: “Mas em que grau está a doença?” ou “Estamos melhorando? Dá para medir isso?”. É aí que entram as escalas neuromotoras, ferramentas que, apesar de técnicas e padronizadas, possuem nuances que nem sempre traduzem a realidade com toda sua complexidade.

O que são escalas neuromotoras?

Quando falo sobre escalas neuromotoras, estou me referindo a instrumentos criados para medir, de maneira quantitativa, o grau de comprometimento motor que uma pessoa apresenta. Elas são compostas por listas de perguntas e testes que avaliam desde força muscular, passando por coordenação, marcha, equilíbrio, até funções mais específicas. Algumas são genéricas, outras adaptadas para condições muito particulares, como a ataxia de Friedreich.

O objetivo dessas escalas é transformar observações subjetivas em números.

Essas medições têm papel fundamental, por exemplo, em pesquisas clínicas e na comparação do progresso do paciente ao longo do tempo. São usadas também para definir se um tratamento está funcionando ou para indicar a melhor estratégia de reabilitação. Afinal, trabalhar com dados concretos ajuda a tomar decisões mais seguras.

Como as escalas orientam as estratégias de reabilitação

Nas discussões clínicas que acompanhei, percebo que profissionais utilizam as escalas para vários propósitos práticos no dia a dia. Elas conseguem:

  • Definir o ponto de partida do tratamento
  • Acompanhar progressos e identificar retrocessos
  • Comparar o efeito de diferentes métodos terapêuticos
  • Auxiliar no ajuste de metas realistas para cada paciente

Por exemplo, uma pessoa diagnosticada com doença de Parkinson pode ter sua marcha avaliada periodicamente por escalas como UPDRS. Isso revela se há evolução e permite adaptar sessões de fisioterapia semanalmente.

No entanto, é preciso um olhar crítico. Como alguém que já presenciou o entusiasmo com melhorias pequenas, noto que as escalas nem sempre capturam mudanças sutis da rotina diária. Ganhos como o simples levantar da cadeira ou conseguir amarrar o sapato sozinho muitas vezes não são refletidos nos números frios. Por mais que as escalas tragam precisão, a vida real é cheia de nuances.

Fisioterapeuta avaliando paciente com teste motor em clínica

Entrevista com Fernanda Maggi: desafios da padronização no Brasil

Recentemente, tive contato com um estudo conduzido pela fisioterapeuta Fernanda Maggi, especialista em doenças neuromusculares. Ela liderou a validação, no Brasil, de uma escala para ataxia de Friedreich, doença genética que provoca perda progressiva de coordenação motora.

Em entrevista, Fernanda destaca algo que me marcou:

"No Brasil, não basta só traduzir a escala. É fundamental considerar as diferenças culturais, o acesso desigual a reabilitação e até a variação na formação dos profissionais."

Segundo ela, adaptar uma escala internacional para nosso contexto exige não só tradução, mas também reavaliação dos critérios e treinamento dos profissionais. Isso porque, em muitos pontos do país, pacientes não têm acesso regular a fisioterapia ou ferramentas especializadas, o que impacta na coleta de dados.

Fernanda também ressalta que um resultado numérico não pode ser interpretado isoladamente. “O sentimento de autonomia e as dificuldades no dia a dia precisam ser ouvidos do paciente, não apenas medidos,” afirma. Essa fala reforça minha percepção: sem escuta ativa, existe o risco de tratar planilhas e não pessoas.

Limites das escalas: as lacunas entre o número e a vida real

Uma questão recorrente em minha vivência é escutar relatos como: "A escala X não mudou, mas eu percebo que estou subindo escadas com menos medo". Isso me levou a refletir sobre as reais limitações dessas ferramentas:

  • Capacidade reduzida de captar pequenas mudanças do cotidiano
  • Foco nas habilidades motoras clássicas, com pouca atenção ao cansaço, dor ou medo
  • Influência do ambiente (a avaliação em consultório nem sempre reflete a vida em casa)
  • Dependência de quem aplica e interpreta o teste

Por tudo isso, a avaliação clínica precisa ser combinada com relatos dos próprios pacientes e de seus familiares. Já vi casos em que um simples ajuste na rotina proporcionou qualidade de vida que nenhuma escala conseguiria quantificar.

Interface digital mostrando dados de paciente em reabilitação e profissional analisando

A importância de interpretar o número junto com a experiência do paciente

Quando estudo o que existe de mais atual nos cuidados em reabilitação, vejo uma tendência cada vez maior de unir a ciência dos dados à escuta ativa. Nenhum dado faz sentido se descolado da realidade vivida por quem recebe o cuidado.

Por exemplo, um paciente pode ter o mesmo escore em uma escala após seis meses, mas relatar estar mais confiante para sair de casa ou interagir com familiares. Esses sinais “invisíveis” no papel representam ganhos enormes, que só aparecem se o profissional criar abertura ao diálogo.

Abordagens humanizadas defendem essa escuta: ouvir o que mudou na rotina, saber as conquistas, os medos, e acolher as ambições de cada um. Esse foi tema de um artigo que li recentemente, discutindo o conflito entre inovação tecnológica e a necessidade do “people over papers”, defendido no texto por que mapas anti-ICE seguem ressurgindo.

Tecnologias como aliadas: IA conectando dados e pessoas

Frente aos desafios que vejo na aplicação das escalas, percebo como as inovações digitais vêm ganhando espaço. Soluções de inteligência artificial, como as oferecidas pela Fábrica de Agentes, possibilitam integrar dados objetivos, relatos subjetivos e informações do cotidiano do paciente em um só lugar. Isso amplia a visão dos profissionais de saúde, tornando o acompanhamento mais ágil, personalizado e conectado à realidade.

Hoje já se fala em agentes de IA capazes de monitorar pequenas variações na marcha, quedas ou alterações no padrão de sono. Essas informações podem ser coletadas de forma quase automática, sem sobrecarregar paciente ou equipe clínica, e ainda facilitando a comunicação. O tema me fez lembrar discussões sobre como chatbots e automação estão mudando a relação entre pacientes e profissionais, como citado no artigo sobre os riscos de chats infindáveis em IA de saúde.

Nesse contexto, decisões clínicas passam a ser pautadas não só pelo escore de uma escala, mas por um mosaico de dados, vivências e preferências únicos de cada pessoa.

O equilíbrio entre ciência, tecnologia e escuta ativa

No final das contas, toda escala é apenas uma ferramenta, não um veredito. Aprendi com a experiência de Fernanda Maggi e com pacientes de diferentes histórias que a ciência se fortalece quando caminha junto do olhar humano e da escuta sensível. Só assim conseguimos desenhar estratégias de reabilitação verdadeiramente transformadoras.

Inovações como as desenvolvidas pela Fábrica de Agentes mostram que é possível unir o melhor da inteligência artificial ao compromisso com as necessidades reais das pessoas. O caminho da saúde está em evoluir sem perder a conexão com o que realmente importa: a vida que se vive fora das métricas.

Se você também acredita numa reabilitação baseada em ciência, tecnologia e escuta ativa, te convido a conhecer como a Fábrica de Agentes pode ajudar seu projeto ou clínica a ir além do óbvio. Descubra soluções que unem automação, empatia e dados para transformar a experiência de cuidado em saúde. E, se quiser entender mais sobre o papel da tecnologia no apoio à saúde, vale a leitura do artigo sobre chatbots, autoacolhimento e isolamento no nosso blog.

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Sergio Camillo

Sobre o Autor

Sergio Camillo

Sergio Camillo é um especialista apaixonado por inteligência artificial e automação, dedicado a impulsionar empresas brasileiras por meio de soluções inovadoras baseadas em IA. Com foco em criar agentes inteligentes personalizados, Sergio valoriza o uso estratégico da tecnologia para aumentar a eficiência e produtividade nos negócios. Ele acredita que soluções sob medida, simples e aplicáveis, permitem às empresas conquistar vantagem competitiva concreta sem perder tempo com experimentação excessiva.

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