Nos últimos anos, eu percebi uma busca crescente e quase frenética por respostas rápidas para a perda de peso. No epicentro desse fenômeno, surgem as chamadas canetas emagrecedoras. Falo dos conhecidos agonistas de GLP-1, como Mounjaro, Zepbound, Ozempic, Saxenda e Wegovy. Basta digitar o nome de qualquer um deles nos buscadores, e você verá notícias sobre pessoas, celebridades, grandes empresas e debates técnicos influenciando milhões.
Essa febre, além de impulsionar bilhões de dólares em receita para gigantes farmacêuticas como a Eli Lilly, que nem faz tanto tempo se tornou a primeira empresa de saúde a ultrapassar o trilhão de dólares em valor de mercado, também levanta uma série de perguntas difíceis. Muitas delas, aliás, continuam sem respostas claras mesmo para pesquisadores ou médicos experientes.
Por que as canetas emagrecedoras causam tanta polêmica?
Na minha opinião, parte do fascínio ao redor das canetas emagrecedoras é o resultado da junção de esperanças antigas (afinal, quem nunca quis perder peso “sem sacrifício”?) com a promessa moderna da ciência. O que poucos explicam é que esses medicamentos nasceram, principalmente, para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade diagnosticada, não para pessoas apenas desejando perder alguns quilos rapidamente.
Agora, com o mercado ganhando ainda mais tração, há estudos para expandir o uso dessas drogas também para:
- Distúrbios neurológicos
- Transtornos de uso de substâncias
- Prevenção de doenças como Alzheimer
Vale lembrar que a comunidade científica ficou decepcionada ao descobrir que, num amplo estudo conduzido com 3.808 voluntários pela Novo Nordisk, os agonistas de GLP-1 não conseguiram retardar a progressão da doença de Alzheimer. Daniel Drucker, endocrinologista da Universidade de Toronto, relatou essa frustração e reforçou a necessidade de não criar falsas expectativas.
O que a ciência descobriu, afinal?
Um lado interessante nessa discussão é que pesquisadores descreveram efeitos do GLP-1 em diferentes órgãos, inclusive no cérebro. Segundo estudos recentes, esses medicamentos podem:
- Reduzir inflamação cerebral
- Melhorar a comunicação entre regiões cerebrais
- Favorecer o metabolismo energético
Mas, na prática, não está comprovado que esses efeitos resultam em proteção real, especialmente para as pessoas que não têm Alzheimer.
Nem todo ganho biológico é um ganho para a saúde.
O que vejo é um cenário repleto de zonas cinzentas, áreas onde o que se sabe é quase ofuscado pelo que ainda falta entender.

Gestação e período pós-parto: dúvidas sem resposta clara
Pouca gente realmente discute as implicações das canetas emagrecedoras para quem pensa em engravidar, está grávida ou vai amamentar. Não é raro que eu seja procurado por pessoas com dúvidas sinceras, buscando segurança para essas fases tão delicadas da vida.
O consenso por enquanto, considerando a falta de estudos bem estabelecidos com humanos, é:
- Interromper o uso dos agonistas de GLP-1 pelo menos dois meses antes de tentar engravidar.
- Animais de laboratório mostraram riscos para o desenvolvimento fetal.
- Mulheres que interromperam a medicação após engravidar, em média, recuperaram 3,3 kg a mais durante a gestação.
- Houve um discreto aumento em casos de diabetes gestacional, descontrole de pressão e partos prematuros, apesar de um segundo estudo mostrar resultados opostos.
Na gravidez, a cautela ainda é a melhor estratégia.
O cenário é ainda mais nebuloso quando falamos do pós-parto. Pesquisadores dinamarqueses mediram um aumento importante no uso desses medicamentos por mulheres que querem perder o peso acumulado na gravidez. Só que ninguém sabe ainda como o corpo feminino, em tamanha transformação física e hormonal, reage ao reinício da medicação.
O que acontece se parar de usar?
Outro ponto fundamental, e pouco falado nas propagandas, é o desafio de interromper os medicamentos com segurança. Um estudo recente com tirzepatida, por exemplo, mostrou que a grande maioria dos participantes voltou a ganhar a maior parte do peso perdido após o fim do tratamento. Em alguns casos, inclusive, as pessoas engordaram ainda mais do que antes.
E não foi só no ponteiro da balança que houve reversão. Marcaram-se ainda pioras em indicadores da saúde do coração.
Esse cenário levanta perguntas sérias que escuto recorrentemente:
- Esses medicamentos devem ser usados de forma indefinida?
- Qual a segurança desse uso prolongado?
- Existe risco de dependência física ou psicológica?
Até o momento, a resposta para todas elas permanece incerta, gerando ansiedade tanto em profissionais quanto em pacientes. Um paralelo interessante pode ser feito com outras áreas de inovação em saúde, como automação por inteligência artificial, tema recorrente para quem acompanha soluções como as da Fábrica de Agentes. Assim como na IA aplicada à saúde, as promessas nem sempre acompanham, na mesma velocidade, os esclarecimentos necessários sobre riscos e limitações. Um artigo recente da empresa aborda temas semelhantes sobre as dúvidas e receios dos especialistas diante das promessas da IA, como pode ser conferido neste texto sobre medo de especialistas frente à IA.

Uso fora das indicações: celebridades e modismos
Conto uma cena que marcou: durante a entrega de um prêmio a Daniel Drucker nos Estados Unidos, ele relembrou com certa surpresa o quanto foi abordado por celebridades agradecendo pelo desenvolvimento dessas drogas. O detalhe? Muitas dessas personalidades, aos olhos do próprio especialista, não pertenciam ao perfil de pacientes com indicação médica para os medicamentos.
Esse relato diz muito sobre o uso fora dos protocolos oficiais. Hoje, não é tão difícil ver relatos de:
- Pessoas com peso saudável usando as canetas.
- Adultos jovens buscando apenas "ruído estético".
- Aumento do uso por impulso ou influência de terceiros.
As consequências desse uso são imprevisíveis a médio e longo prazo. O que leva à necessidade de um debate aberto sobre os limites e responsabilidades compartilhados entre pacientes, equipe de saúde, indústria e sociedade.
O que ainda é pouco sabido?
Algumas zonas cinzentas gritantes permanecem nos bastidores dessa discussão. Entre as questões ainda sem solução, listo algumas:
- Real vantagem para transtornos de uso de substâncias: há ensaios em andamento, mas por enquanto nenhum benefício ficou comprovado.
- Consequências de longo prazo para crianças e jovens: especialmente preocupante à medida que aumenta a prescrição para menores de 18 anos.
- Impactos sobre pessoas sem diagnóstico formal de obesidade ou diabetes: não há segurança para tratamentos preventivos ou “estéticos”.
- Riscos psíquicos ou de comportamento alimentar: são relatados casos de compulsão, ansiedade e oscilações emocionais.
Como quem acompanha os debates sobre o papel da automação e dos agentes inteligentes da Fábrica de Agentes nas empresas, onde é preciso distinguir solução real de moda passageira, aqui também vejo urgência em separar mitos de fatos. Recentemente compartilhei um conteúdo relevante sobre o risco dos chamados "chats infindáveis" na IA em saúde, que pode ser encontrado neste artigo, levantando pontos parecidos de cautela e avaliação constante.
Questionar é mais saudável do que seguir o fluxo?
Acredito que sim. O avanço das canetas emagrecedoras traz esperanças antes inimagináveis para pessoas que lutam contra a obesidade. Mas, junto do entusiasmo, é preciso reconhecer os limites e aceitar que muitas perguntas permanecem em aberto, exigindo prudência.
Prudência deve andar lado a lado com inovação.
Questione sempre, leia estudos, peça opinião médica e busque informações sérias antes de embarcar em qualquer nova solução, seja ela um medicamento ou uma tecnologia inteligente no seu trabalho.
Se você se interessa por inovações práticas e quer conhecer como a tecnologia pode atuar de maneira ética e transparente para melhorar o seu negócio, recomendo descobrir o trabalho da Fábrica de Agentes. A empresa alia tecnologia de IA, automação e atendimento personalizado, sempre colocando o debate responsável na frente. Saiba mais no artigo sobre verdades sobre agentes de IA em empresas ou conheça diferentes aplicações em suporte e comunicação em cases no franchising.
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