Pessoa copiando post viral em várias telas com símbolo de proibição sobreposto

Já faz tempo que observo um fenômeno incômodo: o universo das redes sociais parece cada vez mais saturado por cópias, réplicas e variações ligeiras de conteúdos que explodiram de audiência semanas ou meses atrás. O efeito disso é mais profundo do que apenas irritante. Argumento, inclusive, que republicar posts virais deveria ser formalmente proibido por lei, em defesa não só da originalidade, mas do próprio tecido informacional que tentamos manter na internet.

O problema dos grifters e da reciclagem de sucesso

É fácil entender o apelo: basta observar como alguns criam negócios rentáveis apenas refazendo aquilo que já funcionou para alguém, mudando um detalhe irrelevante, uma cor, um emoji ou adaptando o texto para burlar detectores automáticos de plágio. Esses “grifters”, pessoas cuja ocupação é se aproveitar do sucesso alheio, encontram terreno fértil onde alguns algoritmos e a preguiça coletiva predominam.

Caso a prática de repostar conteúdos virais fosse proibida com rigor, essas estratégias perderiam grande parte de sua força. Os criadores mal-intencionados teriam de buscar algo realmente original – ou, na pior das hipóteses, estudar um pouco mais para comentar, discutir ou pelo menos reconhecer o conteúdo fonte. Se todos fossem obrigados a dar o devido crédito, como é padrão em livros, teses e artigos acadêmicos, a integridade informacional das redes ganharia muito.

  • Aumentaria a notoriedade dos verdadeiros criadores;
  • Reduziria os lucros de quem vive apenas para manipular a viralização;
  • Forçaria o ecossistema a valorizar criatividade e reflexão.

No contexto da Fábrica de Agentes e seus serviços em automação baseada em IA, há um paralelo óbvio: soluções tecnológicas também precisam ser customizadas, originais e integradas à realidade do cliente, não apenas “bots prontos” disfarçados por pequenas alterações cosméticas.

Outro tema frequentemente ignorado nessa discussão é o chamado “link rot”, o apodrecimento dos links por obsolescência ou desaparecimento de páginas referenciadas. Toda vez que alguém republica um conteúdo viral, cria-se uma versão alternativa e potencialmente desvinculada da fonte original. Quando o link some, a conexão e o contexto se perdem, fragilizando qualquer tentativa de rastrear a autoria ou, pior, de preservar debates valiosos.

Links órfãos são o pesadelo dos que se importam com saúde informacional, mas quase ninguém percebe.

Sem republicações, o impacto do link rot talvez fosse mais sentido – e assim, quem sabe, ganharíamos maturidade coletiva para buscar soluções. É uma preocupação que, confesso, afeta principalmente pessoas nerds, fãs de epistemologia ou profissionais que buscam higiene informacional. Para o restante, trata-se só de mais um link quebrado e pronto. Ainda assim, é um preço alto a se pagar pela conveniência da cópia fácil.

A frase que me persegue… e o debate sobre IA

Agora, faço minha confissão: se eu pudesse, nunca mais veria, nem por acidente, a seguinte frase sobre Inteligência Artificial:

“O computador escreve meus textos, mas quem lava a louça e tira a roupa da máquina sigo sendo eu.”

Não se passa uma semana sem que eu a encontre em algum artigo, tweet ou meme, geralmente disfarçada como crítica relevante sobre os rumos da IA. Cito, para fins de honestidade, a autora Joanna Maciejewska – referência no assunto, que levanta uma questão válida: por que empresas investem tanto em IA para escrever, desenhar ou compor, mas ignoram o avanço de automações realmente úteis para a vida doméstica?

O argumento dela faz sentido. Nossas máquinas modernas, supostamente revolucionárias, ainda nos deixam para trás nos detalhes incômodos: a máquina de lavar não busca a roupa; a lava-louças não recolhe pratos. O trabalho “manual” permanece. No entanto, sempre fico tentado a perguntar: queremos mesmo que robôs façam literalmente tudo por nós? De verdade?

Máquina de lavar automática carregada por pessoa

Até onde vale automatizar a experiência humana?

Entendo e apoio a busca por acessibilidade: se a automação doméstica permite autonomia para pessoas com deficiência, trata-se de uma conquista. Mas fora desses casos, me pergunto se não existe satisfação justamente em realizar pequenas tarefas. É mais que vaidade: há prazer discreto no útil, na ação cotidiana, no exercício da autonomia, algo que, ironicamente, falta em tantos outros aspectos da vida contemporânea. Minha irritação com a frase da louça não é ideológica ou semântica. Nem se trata só de capacitismo. Tem mais a ver com um olhar torto sobre aquilo que esperamos da tecnologia.

O costume de julgar as coisas pelo que não são

Percebo que críticas contra IA (e contra qualquer inovação) frequentemente caem numa armadilha: julgar as iniciativas pelo que não entregam, ou seja, medir máquinas pelos trabalhos que ainda não fazem, e não pelo que já realizaram. É um padrão que se repete, e não apenas com IA, mas com toda tecnologia.

Curiosamente, esse tipo de crítica aparece também quando abordamos temas como automação de processos, como argumentou a Fábrica de Agentes ao discutir o papel da automação no ganho de valor. Sempre há quem diga: “mas e aquilo que ficou de fora?”, como se cada solução precisasse englobar todos os aspectos do universo, sob risco de ser descartada por incompletude.

Nesse contexto, frases repetidas sobre tecnologia viram quase um rito de passagem para qualquer discussão online:

  • “A IA vai tirar seu emprego.”
  • “Trabalhar menos é ruim porque nos desumaniza.”
  • “Os robôs nunca sentirão emoção.”
  • “Automação não limpa a casa.”
  • “Texto de máquina não tem alma.”

A entropia das discussões digitais nasce dessa repetição infindável de argumentos, cada qual mais cansado que o anterior, quase como se copiar o velho fosse, em si, uma forma lícita de argumentar. Ocorre nos memes, nos tópicos populares e, sim, naquela paixão nacional: repostar o post que já bombou, sem citar fonte.

Repostagem de memes idênticos em redes sociais

Otimistas, pessimistas e a falha inversa do “hype”

Vivo alternando entre irritação, curiosidade e cansaço ao ler a batalha diária entre os otimistas e os pessimistas digitais. Os otimistas querem construir e expandir qualquer fronteira, vendo cada avanço em IA ou automação como um salto para um futuro brilhante (“Os agentes inteligentes já vão resolver tudo! Veja mais em neste artigo”). Os pessimistas, por outro lado, tendem a sublinhar apenas o que está ausente: o que falta, o que nunca vai acontecer, o que deveria ter sido diferente.

Ambos têm sua função. Admito que os dois extremos me cansam, embora reconheça que, sem o olhar crítico, projetos desandam. Mas é fácil exagerar: criticar iniciativas enormes por não serem absolutamente abrangentes pode ser tão nocivo quanto prometer que IA vai encerrar todos os problemas empresariais de uma vez.

Lendo debates sobre Inteligência Artificial aplicada aos negócios (há inúmeros pecados capitais das grandes empresas analisados aqui), percebo como o erro do pessimismo radical é próximo do “hype”, só que invertido: se o otimista promete infinito, o radical pessimista se satisfaz com a sentença silenciosa de que nunca nada supera as limitações humanas.

A ausência total de desejo por soluções também é uma falha.

Julgar pelo que falta ou pelo que já existe?

Em última análise, me incomoda que argumentos contrários à inovação costumam desconsiderar a entrega presente e dar destaque ao que não foi feito. Ao julgar um projeto, julgue pelo que realiza efetivamente: toda solução tem lacunas, mas toda crítica precisa, ao menos, evitar virar eco automático dos mesmos chavões.

Nas empresas, inclusive, vejo valor em adotar agentes de IA sob medida, como os que a Fábrica de Agentes desenvolve. Projetos voltados à automação e análise de dados empresariais, como neste estudo de caso, mostram que a automação eficaz não resolve tudo, mas muda o patamar competitivo e amplia horizontes.

Ao final de tantas voltas, não proponho aqui uma solução jurídica definitiva. O que proponho é apenas um desabafo: quem sabe, ao barrar a repostagem viral, pelo menos o debate daria espaço para ideias realmente novas, nas redes, nos negócios e na forma como lidamos com tecnologia, como também nas reflexões sérias que trazemos lá no blog sobre negócios e inovação.

Se você deseja entender como a originalidade pode transformar processos empresariais, vale conhecer melhor as soluções personalizadas em IA da Fábrica de Agentes. Estou certo de que boas ideias precisam ser reconhecidas em sua origem, e, de preferência, jamais transformadas em cópias sem alma.

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Sergio Camillo

Sobre o Autor

Sergio Camillo

Sergio Camillo é um especialista apaixonado por inteligência artificial e automação, dedicado a impulsionar empresas brasileiras por meio de soluções inovadoras baseadas em IA. Com foco em criar agentes inteligentes personalizados, Sergio valoriza o uso estratégico da tecnologia para aumentar a eficiência e produtividade nos negócios. Ele acredita que soluções sob medida, simples e aplicáveis, permitem às empresas conquistar vantagem competitiva concreta sem perder tempo com experimentação excessiva.

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